26-10-2012 – Desembargador é morto após tentativa de assalto

Por: Carla Vidal 25/10/2012

Gilberto Fernandes foi baleado com um tiro na cabeça e outro no pescoço, em Icaraí, Zona Sul de Niterói. Ele chegou a passar por cirurgia no Azevedo Lima, mas não resistiu

Vidro dianteiro do carro do desembargador aposentado ficou estilhaçado. Crime foi na Av. Sete de Setembro, em Icaraí. Foto: Léo Fonseca
Vidro dianteiro do carro do desembargador aposentado ficou estilhaçado. Crime foi na Av. Sete de Setembro, em Icaraí. Foto: Léo Fonseca

O desembargador aposentado Gilberto Fernandes, de 78 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira, por volta das 2 horas, vítima de tiros. Ele sofreu uma tentativa de assalto por volta das 22 horas da última quinta-feira quando buscava dois netos no Colégio Marly Cury, na Avenida Sete de Setembro, em Icaraí. O desembargador estava em seu Honda City prata e foi abordado por dois homens armados que estavam a pé. Ao tentar arrancar com o veículo, em marcha a ré para fugir, ele foi atingido com um tiro na cabeça e outro no pescoço. Os vidros do carro do desembargador ficaram estilhaçados.

Gilberto Fernandes chegou a ser levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, passou por uma cirurgia, mas não resistiu.

De acordo com depoimento de parentes, após o crime, um neto do desembargador, de 15 anos, ligou para pedir socorro pelo celular. O juiz foi levado, já inconsciente, por uma ambulância do Samu ao hospital. Ele era pai de Gilza Maria Alves Fernandez, candidata em 2008 pelo PSDB como vice-prefeita na chapa de João Geraldo Bezerra de Menezes, o Gegê Galindo, do mesmo partido.

“É com consternação que recebo esta notícia”, disse no hospital Gegê Galindo.

Presidente do TJRJ, Manuel Alberto Rebêlo (à dir.), prestou solidariedade aos familiares. Foto: Léo Fonseca
Presidente do TJRJ, Manuel Alberto Rebêlo (à dir.), prestou solidariedade aos familiares. Foto: Léo Fonseca

Familiares do desembargador não creem na hipótese de execução ou de crime encomendado. Ainda segundo os familiares, na quarta-feira dois homens suspeitos tentaram roubar outro veículo na mesma região.

“Meu tio deve ter feito algum tipo de movimento que tenha despertado a reação dos assaltantes. Ele é um senhor do bem, nunca fez mal a ninguém. Foi mais uma vítima da violência. Ele não merecia isso”, disse muito emocionado o advogado Sérgio Fernandes,  sobrinho do desembargador, momentos antes de saber da morte do tio.

A perícia esteve no local do crime e não encontrou nenhum projétil. A polícia agora vai pedir imagens dos prédios do entorno de onde o crime ocorreu para tentar identificar os criminosos.

O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado do Rio, desembargador Manuel Alberto Rebêlo dos Santos, compareceu ao Heal para prestar solidariedade e chegou a disponibilizar uma ambulância caso hovesse a necessidade de uma transferência de hospital.

“Vim assim que soube”, disse o desembargador.

O desembargador Gilberto Fernandes foi vítima de uma tentativa de assalto em Icaraí. Dois tiros foram disparados contra ele, que chegou passar por cirurgia no Azevedo Lima, mas não resistiu. Gilberto deixa a esposa Maria José e uma filha Foto: Arquivo/ Marcello Almo
O desembargador Gilberto Fernandes foi vítima de uma tentativa de assalto em Icaraí. Dois tiros foram disparados contra ele, que chegou passar por cirurgia no Azevedo Lima, mas não resistiu. Gilberto deixa a esposa Maria José e uma filha Foto: Arquivo/ Marcello Almo

Trajetória – Filho de funcionários da antiga Imprensa Nacional, Gilberto Fernandes nasceu em Niterói, em 1933, cidade onde começou a trabalhar aos 14 anos de idade, como gráfico de O FLUMINENSE, para que pudesse custear seus próprios estudos. Estimado pelo fundador do Grupo Fluminense, Alberto Torres, Gilberto Fernandes, depois de completar os antigos cursos secundário e médio, foi estimulado a estudar Direito. Foi aprovado em vestibular para a Universidade Federal Fluminense, na qual se formou com louvor. Em 1964, através de concurso público, ingressou na magistratura fluminense e nela fez bela carreira se tornando o primeiro desembargador negro do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro.

Fonte: Site do Jornal O FLUMINENSE

One comment

  1. É triste saber que mais uma família enlutada da forma mas brutal possível, a perda de um ente já é sofrida e desta forma ainda pior.
    Vamos crer que esses marginais serão cassados e enjaulados o mais rápido possível.
    A policia em Niterói tem feito um bom trabalho sempre que se dispõe a cumprir sua missão.

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