01.09.2015 – Praça de guerra em Charitas

Marcio Bulhões

As chamas destruíram a fiação elétrica na região. Foto: André Redlich
As chamas destruíram a fiação elétrica na região. Foto: André Redlich

Três ônibus são queimados em protesto contra ação da PM no Preventório, que parou trânsito na orla e fechou estação dos Catamarãs

Um protesto de moradores do Morro do Preventório contra uma operação da PM na comunidade, que deixou três pessoas baleadas, transformou os acessos à comunidade em Charitas numa praça de guerra no início da noite desta terça-feira. Três ônibus da Viação 1001 que estavam no ponto final foram queimados e a polícia precisou intervir com bombas de efeito moral e spray de pimenta.

Bombeiros foram chamados para impedir que as chamas também atingissem carros estacionados na via. A estação dos Catamarãs foi fechada e as barcas que chegavam, por precaução, tiveram a atracação adiada por pelo menos 15 minutos. O turno da noite da Escola Estadual Maria Pereira das Neves foi suspenso.

“Foi um horror. Saí do trabalho para a aula e me deparei com essa cena de guerra”, desabafou uma aluna da unidade.

Muitos tiros foram ouvidos durante o ato, mas ninguém mais teria ficado ferido. Devido ao protesto, o trânsito na orla ficou interditado por mais de três horas, das 18h30 até as 21h40. As chamas nos ônibus atingiram a fiação, deixando sem luz o trecho entre a estação e o Clube Naval. O caso foi registrado na 77ª DP (Icaraí) porque a delegacia da área, a poucos metros do protesto, também ficou sem luz.

Segundo os manifestantes, a polícia teria entrado atirando de fuzil na comunidade. Um dos disparos teria atingido Felipe Pina, de 25 anos, que segundo eles trabalharia como entregador em uma farmácia.

“Ele estava pilotando a moto e, como havia se machucado recentemente, carregava uma muleta, que foi confundida pelos policiais com um fuzil”, disse o eletricista Paulo Roberto, de 30 anos, que estava na garupa da vítima.

Ainda segundo o eletricista, outras duas pessoas que estavam num bar próximo teriam sido atingidas por balas perdidas. Felipe foi socorrido por policiais e levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, onde passou por cirurgia. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre seu estado de saúde. O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Fernando Salema, informou que houve uma operação na comunidade por volta das 17 horas e que teria havido confronto entre os agentes que faziam o patrulhamento e traficantes de drogas da região. No entanto, ele não confirma que tenham partido da polícia os disparos que atingiram as vítimas.

“A manifestação era realizada de forma pacífica até resolverem incendiar os ônibus e atirarem garrafas de vidro com álcool contra os policiais”, disse Salema.

Fonte: Site do jornal O Fluminense

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *