06.11.2015 – Protesto pede socorro para o Antonio Pedro

No final da matéria, segue o pronunciamento do Deputado Estadual Paulo Ramos, em prol do Hospital Antonio Pedro.

Trabalhadores, professores e estudantes fazem manifestação cobrando retomada de cirurgias e internações no Hua

Trânsito no Centro teve retenções, causando reflexos na Avenida Roberto Silveira, Túnel Raul Veiga e também em São Francisco, na Zona Sul de Niterói Marcelo Feitosa

Trabalhadores, professores e alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) promoveram nesta quinta-feira (5) uma manifestação em frente ao Hospital Universitário Antonio Pedro, no Centro de Niterói. Cerca de 200 pessoas caminharam até a Praça Arariboia pela Avenida Amaral Peixoto, dizendo palavras de ordem e pedindo a não privatização da unidade, assim como a volta das cirurgias e internações eletivas, suspensas desde 8 de outubro por falta de recursos. A manifestação ocupou ainda uma faixa da Avenida Marquês de Paraná, prejudicando o trânsito.

O ato foi acompanhado pela Polícia Militar e a Guarda Municipal, que coordenavam o trânsito. De acordo com a Niterói Transportes e Trânsito (NitTrans), o protesto causou reflexos na Avenida Roberto Silveira, no Túnel Raul Veiga e em São Francisco.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), que organizou a manifestação, buscou expor a situação do Huap. Segundo os manifestantes, o hospital está com mais de 300 leitos fechados e cerca de 800 pessoas aguardam a volta das cirurgias. De acordo com funcionários, faltam materiais para o atendimento e profissionais precisam, muitas vezes, comprar itens do próprio bolso.

Os manifestantes também criticavam a proposta de subordinar a unidade à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

“De três anos para cá, o Governo Federal decidiu repassar os hospitais universitários para a Ebserh. Assim, os hospitais passariam a ser assistenciais das empresas. É uma perda tanto para a população, que deixará de ser assistida, quanto para os formandos”, desabafou o professor Wladimir Abreu, que leciona na UFF há mais de 30 anos.

As internações eletivas foram suspensas no início do mês passado por falta de medicamentos e materiais médico-hospitalares. Previstas para voltar em 19 de outubro, o gestor do hospital anunciou uma nova suspensão, que se estenderia até o último dia 3.

De acordo com o coordenador do Sintuff, Pedro Rosa, o diretor do Huap, Tarcísio Rivello, não deu um novo prazo para o retorno das cirurgias não emergenciais.

“Precisamos de uma resposta. O Huap não tem uma auditoria. Já propomos isso ao reitor da UFF e ao diretor do hospital, mas eles se negam”, reclamou o sindicalista.

Na quarta-feira, o gestor do Huap falou a uma assembleia de estudantes da universidade, que cobraram respostas. Segundo os alunos, o diretor disse que as cirurgias devem voltar até a próxima quinta-feira, mas sem um pronunciamento oficial.

“Tivemos uma reunião com o diretor para discutir sobre o funcionamento do hospital. Hoje, viemos aqui para mostrar o que realmente está acontecendo e expor a nossa preocupação. Um dos principais pilares prejudicados com essa situação é o nosso, a educação”, declarou o estudante de medicina Leonardo Da Vinci, que ainda adiantou que os alunos se reunirão na segunda-feira para decidir os próximos passos do movimento.

Sem perspectiva – O presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói e São Gonçalo (Sinmed), Clóvis Abhaim Cavalcanti, também esteve na manifestação. Segundo ele, o sindicato não vê perspectiva de melhora nessa situação de crise na qual o Huap se encontra.

Ex-funcionária, a aposentada Valcyara Xavier, de 64 anos, também participou do protesto. Com 40 anos de dedicação ao hospital, hoje ela não consegue marcar uma cirurgia nos olhos.

“Trabalhávamos sem condições também. Ficávamos três meses sem receber nossos salários, mas todos os pacientes eram atendidos. É muito triste ver essa situação, saber que eu preciso operar os olhos e não posso contar com o hospital onde eu dediquei parte da minha vida”, lamentou.

Em nota, o Ministério da Saúde esclareceu que repassou 70% a mais do valor de produção informado pela direção da unidade hospitalar. Além disso, foi destinado adicional de R$ 207 milhões para os hospitais universitários, totalizando pagamento de R$ 1,45 bilhão até outubro de 2015.

Já a Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio de nota, que repassou 60 mil itens hospitalares, no valor total de R$ 77 mil para ajudar o Huap a reabrir as internações eletivas. A doação conta com três mil aventais, 12 mil seringas descartáveis, mil eletrodos de monitor cardíaco e sete mil compressas de gaze.

A direção do Huap informou, por meio de nota, que o pedido de doação foi feito pelo gestor Tarcísio Rivello e que “o material será utilizado conforme as necessidades, não havendo uma previsão do tempo de duração”.

O vereador e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Niterói, Renatinho (PSOL), e o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), estiveram na manifestação.

Ex-funcionários do Hospital Santa Cruz, que também realizavam um protesto em frente ao Tribunal Regional do Trabalho, se juntaram aos manifestantes do Huap. Entre as reivindicações está a falta de pagamento dos funcionários, que foram demitidos há cerca de dois anos.

Fonte: Site do Jornal O Fluminense

29.10.2015 – Vamos lutar para salvar o Hospital Antônio Pedro

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O SR. PAULO RAMOS – Sra. Presidente, Deputada Tia Ju, vou cumprir com o meu dever íntimo e pedir a bênção, sabendo que isso me faz um bem muito grande.

Srs. Deputados, venho registrar a todos os presentes que estamos convivendo com uma grande lacuna na Assembleia Legislativa. Aproveito a oportunidade para mandar um forte abraço para o Deputado Luiz Paulo, esperando que ele prontamente se recupere e possa estar aqui dando as relevantes contribuições que tem dado ao longo de nossa convivência.

O DR. SADINOEL – Faço minhas as suas palavras e desejo a pronta recuperação do Deputado Luiz Paulo, que muito admiramos.

O SR. PAULO RAMOS – Muito obrigado. Tenho certeza de que é a vontade dos Deputados Renato Cozzolino e Rogério Lisboa, aqui presentes, e de todos nós. Há certa ansiedade para que, o mais rapidamente possível, ele esteja completamente recuperado e possamos contar com a presença de S.Exa. aqui.

Sra. Presidente, nós sabemos como está a Saúde no nosso Estado, e vou me referir mais à Saúde pública. Há pouco recebi uma comissão representativa dos servidores estaduais da Saúde, que estava peregrinando pela Assembleia Legislativa na busca de uma audiência com o Deputado Edson Albertassi, líder do Governo.

O desprezo do Governo estadual pela Saúde pública é reconhecido. Tudo vem sendo privatizado, mas, para privatizar, tudo vai sendo inicialmente destruído.

Quem está sendo corroído é o próprio servidor, que não tem plano de cargos, carreiras e salários; que vê as OSs sendo remuneradas de forma exorbitante, assustadora, enquanto os servidores concursados não têm plano de cargos, carreiras e salários e nenhuma atenção.

O Governo está aniquilando o servidor público porque a proposta consiste em privatizar a Saúde pública. O Hospital Central do Iaserj foi completamente demolido; está lá só o terreno. A dengue está grassando pelo Estado, inclusive com mortos, mas fecharam o Instituto de Infectologia São Sebastião, que estava prestes a completar 120 anos e tinha equipes reconhecidas em todo o mundo.

Ao longo desses anos a saúde da população não está nem em segundo plano; não está em plano nenhum. O servidor público da Saúde está completamente abandonado. Mas temos no Estado do Rio de Janeiro uma rede federal de Saúde, com os hospitais Cardoso Fontes, dos Servidores, de Bonsucesso, do Andaraí.

A rede de saúde federal no Rio de Janeiro também enfrenta gravíssimas dificuldades. Deve ser as mãos dadas, como eles diziam na campanha.

Recebi, amigos e amigas de Niterói, algo que vem sendo publicado nos jornais em relação ao Hospital Antônio Pedro. O Hospital Antônio Pedro, Deputado Rogério Lisboa, tem uma tradição, tem um nome. E quem construiu esse nome? Foram os servidores.

Mas a população reconhece e sente falta constatando o abandono. E agora vem a notícia que no máximo em três semanas o Hospital Antônio Pedro vai ser fechado.

Eu não posso acreditar em tamanha irresponsabilidade. Não é possível que o Governo Federal vá permitir, mas acima de tudo, que o próprio Governo do Estado não tenha uma interlocução com o novo Ministro da Saúde, que não respeite a população.

O Hospital Antônio Pedro é um dos maiores hospitais do nosso Estado por aquilo que representa de atendimento de socorro para a população. Se vai começar fechando o Hospital Antônio Pedro, daqui a pouco o Instituto de Cardiologia, o Hospital da Lagoa, o Hospital de Ipanema, todos vão ser fechados.

Será este o propósito? E aí o Governo do Estado estará verdadeiramente de mãos dadas com o Governo Federal, porque os hospitais públicos estão sendo fechados.

Eu venho a esta tribuna para fazer esta denúncia. Estão precarizando o atendimento deixando o hospital sem insumos, sem a manutenção necessária nos aparelhos, sem nada. E mesmo em casos de muita gravidade, não há atendimento. Quem suporta a reação da população são os servidores profissionais de saúde que lá estão ainda procurando de alguma forma, prestar socorro na medida do possível. Mas a população quando olha o servidor, ela vê o Governo. E o servidor é obrigado ainda a ter alguma habilidade para suportar eventuais agressões.

Então, Sra. Presidente, eu venho a esta tribuna, defensor que sou do Sistema Único de Saúde, da saúde pública, não da saúde dos planos de saúde. Inclusive, planos de saúde patrocinados pelo Governo do Estado. Aliás, ele se transformou no maior corretor de planos de saúde depois que extinguiu a rede Iaserj, levando o servidor público, que aumentou a sua contribuição incorporando a saúde para o Rio previdência, e agora se vê na obrigação de comprar planos de saúde.

Então, quero fazer esta denúncia. É inaceitável o fechamento do Hospital Antônio Pedro. É preciso que o Governo Federal, que está de mãos dadas com o Governo Estadual tome todas as providências para, ao contrário, ao invés de fechar o hospital, promover a sua recuperação assim, como os demais hospitais da rede federal que estão aqui no Rio de Janeiro com a população numa relação de dependência. A população depende desse atendimento.

Vamos lutar para salvar o Hospital Antônio Pedro e o Sistema Único de Saúde.

Muito obrigado, Sra. Presidente.

A SRA. PRESIDENTE (Tia Ju) – Vamos aguardar a manifestação pública, que merece todo o respeito. Vocês sempre serão bem-vindos a esta Casa.

Fonte: Site da Alerj

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